terça-feira, 12 de março de 2013

Queridos amigos


Como todos sabem, a minha capacidade atlética é imensa. Foi com muito agrado que recebi o vosso convite para participar no Trilho Muito Difícil (não estou a inventar nada. É mesmo assim que se chama. Vão ver o regulamento). No entanto, encontro-me com uma tendinite, facto que me fez pensar seriamente se a atitude mais inteligente a tomar seria acompanhar-vos nessa que será uma agradável experiência pelo seio da montanha.

Ora, dizia eu, a minha capacidade atlética é imensa, como todos podem comprovar em todas as aulas. Ela é burpees, ela é alteres de cinco quilos, ela é saltos por cima de dois steps, enfim, uma série de exercícios que só os melhores conseguem fazer. Mas, esta capacidade não altera o facto de eu ter os pés pequenos. Pois é. Ninguém é perfeito e sei que todos pensam há largos meses qual seria a minha imperfeição. Pois que é essa. Calço 34/35, números que não são correctamente proporcionais ao corpo espadaúdo e musculado que possuo. Isto faz com que o meu equilíbrio seja pouco, muito pouco meus amigos. De bicicleta caio parada, caio nas escadas em frente ao chefe, caio nas passadeiras a atravessar estradas, caio em todo o lado. Tudo porque tenho os pés pequenos.

Outro factor que me faz pensar se devo acompanhar-vos, é que sou luso-brasileira. Pois é, não tenho o rabo para comprová-lo, mas a minha certidão de nascimento diz que sim. Sou metade, metade e a metade do meu rabo é do meu pai, português portanto. Este factor faz com que eu não retire especial prazer em apanhar chuva na cara, a tal metade carioca que só está bem quando estão 25 graus, vá. Digam que sou maluca, mas andar à chuva cinco horas seguidas é coisa que não gosto, pronto.

Tendo em conta todos estes poderosos argumentos, tenho a dizer que acompanhar-vos-ei...

 

... no Verão.

 

 

Peço que me compreendam. Sei que não vai ser a mesma coisa sem mim. Mas sejam fortes. Estarei a pensar em vocês, em minha casa, com os aquecedores ligados e abraçada à minha família. Mas acreditem que fico com pena. Estava ansiosa por andar DE-ZAS-SÉIS QUI-LÓ-ME-TROS à chuva no meio da montanha, mas a tendinite, os pés pequenos e a costela brasuca impedem-me.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Morrer de Amor

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

Maria Teresa Horta, in “Destino”


sexta-feira, 8 de março de 2013

Correu bem


Top of the world

Que horas são? 15h17? O que vou ouvir para passar o tempo mais rápido?


Estarás nervosa? Não fiques. Para mim estarás sempre no top of the world.
As borboletas voam na minha barriga. Nunca mais são 16h30. É melhor ir tomar café. Não, é melhor não. Que horas são? 14h53? Obrigada. Então e este tempo, hum? Está Inverno, não está? Tem horas? 14h54? Obrigada. Com que então o Chávez embalsamado? Esta gente inventa cada uma. Que horas é que disse que são? 14h55? Obrigada.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sabes que os teus colegas compreendem as tuas enxaquecas quando as persianas do teu escritório (qua partilhas com mais quatro pessoas) estão fechadas, as luzes estão apagadas e todos estão em silêncio. São 16h20 e há luz lá fora, mas no meu gabinete já é noite.

terça-feira, 5 de março de 2013

Não te interessam as manifestações, os blogues com comentários trengos e descabidos sobre as roupas das passadeiras vermelhas, os filmes e actores que levaram a estatueta para casa, a doença do Chávez, o filme idiota, ridículo e insultuoso do Turismo de Portugal, o desaparecimento do Cavaco Silva. Interessam-te as coordenadas geográficas, as placas tectónicas, a Grécia Antiga, as capitais europeias, Habla usted español? Tenho feito as minhas próprias - solitárias - manifestações, tenho ouvido comentários trengos e descabidos sobre educação, tenho visto representações merecedoras de estatuetas e comportamentos idiotas, ridículos e insultuosos de professores, pais e alunos, o desaparecimento da direcção da escola, assobiando para o lado como se nada se passasse.