sexta-feira, 8 de março de 2013

Top of the world

Que horas são? 15h17? O que vou ouvir para passar o tempo mais rápido?


Estarás nervosa? Não fiques. Para mim estarás sempre no top of the world.
As borboletas voam na minha barriga. Nunca mais são 16h30. É melhor ir tomar café. Não, é melhor não. Que horas são? 14h53? Obrigada. Então e este tempo, hum? Está Inverno, não está? Tem horas? 14h54? Obrigada. Com que então o Chávez embalsamado? Esta gente inventa cada uma. Que horas é que disse que são? 14h55? Obrigada.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sabes que os teus colegas compreendem as tuas enxaquecas quando as persianas do teu escritório (qua partilhas com mais quatro pessoas) estão fechadas, as luzes estão apagadas e todos estão em silêncio. São 16h20 e há luz lá fora, mas no meu gabinete já é noite.

terça-feira, 5 de março de 2013

Não te interessam as manifestações, os blogues com comentários trengos e descabidos sobre as roupas das passadeiras vermelhas, os filmes e actores que levaram a estatueta para casa, a doença do Chávez, o filme idiota, ridículo e insultuoso do Turismo de Portugal, o desaparecimento do Cavaco Silva. Interessam-te as coordenadas geográficas, as placas tectónicas, a Grécia Antiga, as capitais europeias, Habla usted español? Tenho feito as minhas próprias - solitárias - manifestações, tenho ouvido comentários trengos e descabidos sobre educação, tenho visto representações merecedoras de estatuetas e comportamentos idiotas, ridículos e insultuosos de professores, pais e alunos, o desaparecimento da direcção da escola, assobiando para o lado como se nada se passasse.  

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Para a minha filha decorar as capitais europeias, faço várias analogias. Letónia é Antónia, Riga é barriga, entre outras. Ontem perguntei-lhe qual é a capital da Hungria, cuja analogia era sangria. Resposta:

- Enxaqueca.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Maria do Rosário Pedreira

Ouvir a Maria do Rosário Pedreira faz-me sentir muito estúpida. Poderia ouvi-la durante horas. E o seu retrato de família, no Correntes d'Escritas, foi dos momentos mais marcantes para mim desde que assisto a estas Mesas, há mais de seis anos.

Aqui, mostro um dos meus poemas e uma das minhas músicas preferidas, ambos escritos por ela.

Lembrava-se dele e, por amor, ainda que pensasse
em serpente, diria apenas arabesco; e esconderia
na saia a mordedura quente, a ferida, a marca
de todos os enganos, faria quase tudo

por amor: daria o sono e o sangue, a casa e a alegria,
e guardaria calados os fantasmas do medo, que são
os donos das maiores verdades. Já de outra vez mentira
e por amor haveria de sentar-se à mesa dele
e negar que o amava, porque amá-lo era um engano
ainda maior do que mentir-lhe. E, por amor, punha-se
a desenhar o tempo como uma linha tonta, sempre
a caira da folha, a prolongar o desencontro.
E fazia estrelas, ainda que pensasse em cruzes;
arabescos, ainda que só se lembrasse de serpentes.

Maria do Rosário Pedreira



Letra de Maria do Rosário Pedreira