Eu - Gostas desta camisola para ti?
Filha - (a passar a mão na camisola) Ó mãe, sabes que não gosto muito disto aqui.
Eu - Mas, disto o quê?
Filha - De lã.
A minha filha é, oficialmente, a pessoa mais calorenta que existe.
"Não sou nada. Nunca serei nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". Fernando Pessoa
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Viver comigo é uma grande trabalheira. Trago gatos abandonados e pulguentos para casa, não pago multas que vão acumulando e acumulando, deixo roupa espalhada pelo sofá, botas no chão e jazem garrafas de água no carro. É preciso uma grande dose de paciência para aturar as minhas irresponsabilidades e tontices. Na verdade, eu sou muito preguiçosa e o lema amanhã eu faço já faz, há muito, parte da minha vida. Eu sou como aquela mulher muito gorda que decide emagrecer e que coloca na mesinha-de-cabeceira um papel a dizer amanhã começo a dieta. O amanhã chega, ela olha para o papel e pensa, pois é, amanhã. E enquanto o amanhã não chega, nunca chega, ela vai comendo, comendo e engordando, engordando. Bem, talvez eu esteja a engordar as minhas pessoas. A engordar a sua paciência. A minha filha manda-me sms para eu não me esquecer das coisas e o meu marido arruma os meus pensos higiénicos. Pois, eu sei, não é bom. E como não há contratos de promessa de responsabilidade/arrumação, servirá o Barriga de Bolacha para assinalar o fim de tantos anos de infantilidade.
Assim, eu, Bolachas, prometo arrumar toda a roupa que desarrumar, todas as botas que calçar, toda a loiça que sujar. Prometo pagar todas as scuts que passar, todas as multas que apanhar.
30 de Novembro de 2012
Assinatura
Bolachas
Assim, eu, Bolachas, prometo arrumar toda a roupa que desarrumar, todas as botas que calçar, toda a loiça que sujar. Prometo pagar todas as scuts que passar, todas as multas que apanhar.
30 de Novembro de 2012
Assinatura
Bolachas
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A Felicidade vem da Monotonia
Em sua essência a vida é monótona. A felicidade consiste pois numa adaptação razoavelmente exacta à monotonia da vida. Tornarmo-nos monótonos é tornarmo-nos iguais à vida; é, em suma, viver plenamente. E viver plenamente é ser feliz.
Os ilógicos doentes riem - de mau grado, no fundo - da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos. Isto, porém, é que é a felicidade.
Parece, a princípio, que as cousas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as cousas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez. Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente. Um excesso de cousas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela.
Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre. A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje.
É claro que ele não diria nada disto. Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros.
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'
Os ilógicos doentes riem - de mau grado, no fundo - da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos. Isto, porém, é que é a felicidade.
Parece, a princípio, que as cousas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as cousas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez. Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente. Um excesso de cousas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela.
Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre. A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje.
É claro que ele não diria nada disto. Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros.
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Claudinha, podes dizer-me como fazes para não espancar toda a gente, não passar o dia a dizer palavrões e como consegues não devorar a comida quando ela te aparece à frente, tão rápido que até ficas mal disposta? É que tenho tentado não comer pão, batatas e arroz, sabes, para ver se fico com a barriga e os braços parecidos com os teus, como tu fazes questão de esfregar na nossa cara em anúncios e participações naquele programa horroroso, o Gosto Disto, e pareço uma bomba relógio.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Voltei
Devagarinho, voltamos a nós. As gargalhadas voltam a soltar-se, leves, felizes. Voltamos a queixar-nos do frio, da chuva, da falta de lugares para estacionar o carro. A comida volta a ter sabor. Os beijos voltam a adoçar as noites. A roupa volta a ser colorida. O trabalho volta a fazer sentido. Voltamos a comportar-nos como as duas criançolas que somos.
É bom estar de volta.
É bom estar de volta.
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