quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Não chores. Nem sempre a vida corre como nós desejamos e as mudanças, às vezes, são difíceis de aceitar, eu sei. Limpa as lágrimas, eu estou aqui, vou estar sempre.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Perguntam-me porque passo tantas horas no ginásio. A minha resposta vai dar a um lugar comum: trato do corpo mas, essencialmente, trato da mente. Naquele espaço e naquele tempo, eu sou apenas eu. Ninguém sabe que sou filha de uma mãe deprimida e de um pai de ideias fixas, irmã de um atleta calado, nora da melhor pessoa da cidade, mulher do homem com um sentido de humor mais apurado que o Ricardo Araújo Pereira, mãe da menina mais bonita e educada do mundo. Lá, ninguém conhece a minha história ou como fui lá parar. Quem gosta de mim, gosta sem ideias pré-concebidas. Quem não gosta, também. E, estranho, mas gosto de pessoas, mesmo muito, também sem conhecer as histórias delas. Calhou de encontrar num ginásio este espaço onde me expresso como indivíduo. Poderia ser noutro lugar qualquer. Mas, ainda bem que não foi. Pelo menos faço abdominais.

Coisas que gosto e não gosto que vou dizer quando o Daniel Oliveira me entrevistar # 10

Gosto quando me arrasto às 7h da manhã para a ginástica, sem vontade nenhuma, cabeça pesada, olhos apenas semi-abertos, cheia de frio, a pensar palavrões quanto baste e a dizer mal da Cláudinha, que de certeza que já acorda maravilhosa e não precisa de se exercitar àquela hora para não ter celulite, e encontro dois amigos, que há meses tento convencer a juntarem-se a mim naquela aula e sempre disseram que eu tinha um parafuso a menos. Gosto quando os amigos combinam fazer-me uma surpresa tão simples e que, ao mesmo tempo, me fez tão feliz.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eu é que sou a prelesidente da junta

Nova reunião na escola da minha filha. Desta feita, com o director de turma e todos os outros professores (sou representante dos encarregados de educação. Sabemos que a turma é má quando o director de turma nos escolhe, a nós, que nunca somos escolhidas para nada porque temos 32 anos e uma filha de 12 e, mães invejosas, ainda por cima não aparentamos ter 32. 28 e olhe lá. De maneira que todas as mães, desde sempre, olham para nós de lado e acham-nos irresponsáveis prevaricadoras e porque estou a referir-me a mim própria no primeiro nome do plural?). Sinopse da reunião: professores desmotivadíssimos no que diz respeito às condições de trabalho que o governo impõe mas, mesmo assim, empenhados na educação dos seus alunos, um aluno foi parar ao hospital depois de um colega lhe ter pontapeado a cabeça, uma aluna foi retirada aos pais e vai mudar de cidade e de escola, quatro alunos estão a ser acompanhados pela psicóloga por se terem revelado agressivos. Tudo a correr dentro da normalidade, portanto.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amiga perde namorado que diz estar confuso. Amiga suplica e chora baba e ranho para o namorado não terminar o namoro. O namorado termina o namoro. Amiga tem assuntos pendentes com o agora ex-namorado e combinam encontrar-se. Ex-namorado diz que continua confuso, diz que acha que se vai arrepender de ter terminado o namoro e pede um abraço. Amiga dá abraço. Depois do abraço o ex-namorado diz para não esperar por ele. Amiga diz-lhe que não vai esperar. Mas, nós sabemos, a amiga está à espera.
- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEE, tirei 100% a físico-química.
- Uau, parabéns. Vou comprar-te um chocolate para comemorar.
- A sério? Então acho que vou tirar sempre 100%.

Comment? Mas afinal bastava eu prometer chocolates, cho-co-la-tes, para tirares boas notas?

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O pior, às vezes, revela-se o melhor

Reunião com director de turma da minha filha. Nada a declarar sobre o seu comportamento. Bem-educada, simpática, participativa, interessada. É a primeira vez que venho de uma reunião satisfeita. Até agora, os directores de turma da minha filha sempre se queixaram da sua distracção e de como esta a impedia de ser uma excelente aluna. No início do ano, fiquei preocupada quando soube que entre os colegas estariam ciganos e repetentes com fartura. É uma das piores turmas de 7º ano da escola. Eu sei, eu sei, já vou chegar lá. A minha filha pediu-me para confiar nela, que se ia portar bem, que não se ia deixar influenciar. Confiei. Os professores simpatizaram logo com ela e ela destaca-se entre os restantes pelo interesse que demonstra. Isso fez com que ela se sentisse mais empenhada em tirar boas notas e, contrariamente ao que eu tinha pensado, os testes nunca lhe correram tão bem como este ano. Ela sempre andou em turmas com excelentes alunos e eu pensava que era positivo ter como companhia crianças estudiosas e interessadas. Mas, a vida trocou-me as voltas e fez-me repensar nisto da educação e do que os pais pensam ser o melhor para os seus filhos. Os bons alunos desmotivavam a minha filha, insegura em relação às suas capacidades. Era apenas mais uma no meio de trinta. Ser considerada um exemplo, palavras do director de turma, tem-na motivado como nunca. Estuda sem ninguém a mandar, faz todos os trabalhos, participa e tira boas notas. Ao mesmo tempo, ficou amiga dos ciganos e dos repetentes, crianças com dificuldades de aprendizagem e necessidades especiais. Já assistiu a pancada e a marmelada da grossa entre eles. Sempre, acho eu, mantendo a meninice que tanto a caracteriza e crescendo.
Afastá-la de todos os supostos perigos não é o caminho correcto para um crescimento saudável.