quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ando de uniforme

Proliferam os blogues de moda. São mostradas as roupas da Zara, da Mango e da H&M. Têm 4857956 seguidores que comentam ai mas que linda, que original, nunca me teria lembrado. Bem, sempre vi com desconfiança o êxito de blogues que mostram as roupas diárias das suas autoras. Já aqui tinha referido esse facto. Hoje, dou continuidade a essa investigação exaustiva que pretende comprovar que, um dia não muito distante, andaremos todas de uniforme. Há uns anos atrás, uma moça ia à Zara, comprava os seus trapinhos e via na rua uma ou outra pessoa com peças iguais. Mas hoje, abre-se o computador e vemos um milhão de pessoas com peças iguais.

Ora, esta sou eu, originalíssima e excelente fotógrafa, como sempre:


Atentem no post seguinte.

Do dormir e da intimidade

As noites vão passar devagar. Vou acordar três ou quatro vezes. Estranho a falta do teu corpo, do toque e do calor da tua pele, da tua respiração. Sempre foi um sacrifício para mim partilhar a cama. Em criança recusava quando as amigas me convidavam para passar a noite na casa delas. Nunca percebi o obectivo da coisa. Afinal, dormir com alguém exige intimidade. Ressonamos, soltamos gases e acordamos com mau hálito, cara amassada e cabelo de leão. Nas novelas e nos filmes assim que acordam os actores e as atrizes atiram-se para a boca uns dos outros. Na vida real isso não é possível, todos o sabemos. É impensável alguém colocar a sua língua ou receber a de outra pessoa logo de manhã sem escovar os dentes. Por todos estes motivos e muitos outros, dividir a cama com alguém sempre foi um sacrifício para mim. Mesmo quando começamos a passar as noites juntos, confesso que também estranhei. Mas hoje, ai hoje... Gosto dos rituais antes de adormecermos, do dizer sempre até amanhã, do beijo, do abraço, dá-me só mais um, já chega, tenho sono, que chata. Gosto das manhãs, tentas sempre acordar-me lentamente, mas vendo que nunca resulta aumentas o som da televisão. Mais um bom dia, mais um abraço, beijo não, cruzes, coitado de ti, resmungo até ao chuveiro, água a 37 graus e bom trabalho. As noites vão passar devagar e as manhãs só vão fazer sentido porque serão sinal que o teu regresso está mais perto.
O governo conseguiu extinguir quatro fundações. Fantástico.



Not.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Perdoem a linguagem


 
Nuno Crato, Ministro da Educação

A escola mata a criatividade

A minha filha continua sem três professores. O director de turma não faz ideia de quando eles poderão chegar à escola. Pediu aos encarregados de educação que pressionassem a escola, a DREN, o Ministério. Uma mãe disse-lhe ainda por cima são disciplinas de estudo. Mas todas são de estudo, respodeu. Há disciplinas que são mais práticas, outras mais teóricas, mas todas são importantes. Há alunos que só vêm à escola porque gostam de Educação Física e de Educação Visual. Às vezes, conseguimos que se interessem pelas outras por causa do desporto e das artes. Porque não há-de ser considerado bom aluno aquele que tem boas notas a estas disciplinas, bem como a Educação Musical, por exemplo? Por que só é bom aluno aquele que tira 5 ou 20 a matemática? Além disso, e referindo-me à Educação Física em particular, o ministro tirou uma hora desta disciplina. Em vez de três horas, uma hora num dia e duas noutro, os meninos têm dois dias com uma hora cada. Sinceramente, considero isto criminoso, retirar a crianças em desenvolvimento, que muitas vezes só praticam desporto na escola (e não, correr com os amigos atrás de uma bola não é desporto, é brincar) a possibilidade de aprenderem e aperfeiçoarem diferentes modalidades é criminoso.
A este propósito, lembrei-me de um vídeo que vi há alguns meses, sobre como a escola mata a criatividade. É longo, mas é muito interessante.