sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Gamar com style

Muito bom.

Constante nas suas inconstâncias

Sempre foi constante nas suas inconstâncias. Acordava feliz, almoçava triste, lanchava eufórica, jantava melacólica e deitava-se contente. Como na música, não consigo compreender este estado de ansiedade, insatisfeita, como se soubesse que tudo lhe estava destinado e, enquanto esse fado não se cumprisse, continuaria constante nas suas insconstâncias. Tudo se cumpriria. Hoje, as alegrias e as dificuldades quando chegam é como se lhes tivessem sido anunciadas muito antes de acontecerem. Hoje, já não é constante nas suas inconstâncias. Hoje é apenas e todos os dias - sim, todos os dias - feliz.    

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Das expectativas

Há mais de um ano que a minha filha me pede para ir para a escola sozinha. O caminho a percorrer tem apenas 200 metros e, este ano, decidi que sim, que podia. Ora, a escola começou na segunda-feira. Hoje é quinta. Quando há pouco pedi há minha filha que, ao final da tarde, em vez de esperar por mim, fosse andando para casa, respondeu-me logo oh mãe, fogo, já tive que vir a pé para a escola e agora queres que vá a pé para casa? Andar a pé cansa muito. Senhor, dai-me paciência para aturar pré-adolescentes com expectativas altas que rapidamente saem furadas.

E agora algo muito importante

Gosto que nunca cheires mal dos pés. Ou dos sovacos. Há pessoas que têm essa sorte, mas eu nunca tinha conhecido nenhuma. Enfrentar 40 graus e andar quilómetros sem que odores a queijo ou a caril resolvam aparecer é, sem dúvida, algo que tem que ser comemorado. Tiras as sapatilhas, as meias e eu inspecciono os teus pés. Nada. Ando ali com o nariz à volta dos dedos e... Nada. Passamos aos sovacos. Tiras a camisa e o ritual repete-se. Nada. Como é possível? Não sei. Mas gosto que nunca cheires mal dos pés ou dos sovacos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nova versão de Nini

Esta é a minha nova versão da letra de "Nini dos meus quinze anos", que Passos Coelho alegremente cantou depois de anunciar aos portugueses que nos ia tramar ainda mais a vida.


Chamava-se Coelho
Era um ganda fedelho
E desgraçava (desgraçava)
Desgraçava-me a mim
Mas isto não tem fim
E eu bufava (bufava)

E desde então se lembro o seu discurso
O gajo é mesmo um urso
Que no governo não havia outro igual
E eu ia manifestar
Pelas ruas a gritar
Pensar que tanta austeridade ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a provocação
E eu manifestava (manifestava)
Sentia uma aflição
Dizer que não, que não
E eu manifestava (manifestava)
 
E desde então se lembro o seu discurso
O gajo é mesmo um urso
Incompetente que nos está a afundar
É tempo de enrijecer
É tempo de enaltecer
Toda a revolta que tem o povo português
É tempo de enrijecer
É tempo de enaltecer
Que a vida passa
Mas um homem se cala sempre assim
Coelho deixa-nos sem xilim
Passos Coelho a cantar Nini

Como? Pode repetir?

Hoje fui pagar os livros escolares da minha filha. 340 euros. Não, não perceberam mal. TRE-ZEN-TOS E QUA-REN-TA EU-ROS. Isto sem o restante material escolar, como capas, cadernos e folhas. E não me venham com histórias que a conta poderia ser bem mais barata. Para cada disciplina há três livros. Dois volumes com a matéria propriamente dita e um outro com actividades. A conta poderia - e deveria - ser bastante mais reduzida se, pelo menos, o tal caderno de actividades não existisse. Lá vamos nós com a velha história de "no meu tempo", mas é mesmo isso. No meu tempo não havia livros de actividades. Os professores davam-nos fotocópias com exercícios ou colocavam-nos nos quadros e nós passávamos para os nossos cadernos. Além de serem um peso brutal na conta bancária tornam-se um peso também para as crianças, que têm que carregar aqueles monos para a escola e na maior parte dos casos nem sequer são tão utilizados assim. Fazendo as contas, sem estes livros, a conta desceria mais de 100 euros.
O negócio é bom para as editoras, mas não percebo como as escolas colocam na lista de livros um caderno com exercícios que podiam muito bem serem elaborados pelos professores. Mas, há tanta coisa a dizer acerca deste assunto que não me chegariam 340 posts.

Os "meus" blogs - Tolan

Quando leio o Tolan, imagino do outro lado do ecrã um homem de 36 anos, casado e com dois filhos. Não vê a Casa dos Segredos, até acho que apenas tem uma vaga ideia do que isso será. Vive rodeado de livros, revistas literárias e jornais. Com certeza será desarrumado, por isso, todas estas publicações estão dispostas por toda a casa, no escritório, no sofá, na mesinha de cabeceira e na casa-de-banho. Quando está a ver um noticiário resmunga sozinho em frente à televisão, vive a injustiça social com fervor e participa em fóruns e noutros blogs que versem esta temática. A Plaft tem que recordar-lhe que é necessário cortar a barba que se arrasta já até ao chão, comer legumes (que detesta) e trocar de roupa. Não por desleixo higiénico, mas porque passa o tempo todo no computador a escrever e as horas passam sem que ele dê por isso. Os filhos não têm televisão no quarto e o Tolan lê-lhes, todas as noites, histórias para crianças mais velhas, o intelecto deles está muito desenvolvido e a Carochinha já não lhes interessa.