quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Nova versão de Nini

Esta é a minha nova versão da letra de "Nini dos meus quinze anos", que Passos Coelho alegremente cantou depois de anunciar aos portugueses que nos ia tramar ainda mais a vida.


Chamava-se Coelho
Era um ganda fedelho
E desgraçava (desgraçava)
Desgraçava-me a mim
Mas isto não tem fim
E eu bufava (bufava)

E desde então se lembro o seu discurso
O gajo é mesmo um urso
Que no governo não havia outro igual
E eu ia manifestar
Pelas ruas a gritar
Pensar que tanta austeridade ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a provocação
E eu manifestava (manifestava)
Sentia uma aflição
Dizer que não, que não
E eu manifestava (manifestava)
 
E desde então se lembro o seu discurso
O gajo é mesmo um urso
Incompetente que nos está a afundar
É tempo de enrijecer
É tempo de enaltecer
Toda a revolta que tem o povo português
É tempo de enrijecer
É tempo de enaltecer
Que a vida passa
Mas um homem se cala sempre assim
Coelho deixa-nos sem xilim
Passos Coelho a cantar Nini

Como? Pode repetir?

Hoje fui pagar os livros escolares da minha filha. 340 euros. Não, não perceberam mal. TRE-ZEN-TOS E QUA-REN-TA EU-ROS. Isto sem o restante material escolar, como capas, cadernos e folhas. E não me venham com histórias que a conta poderia ser bem mais barata. Para cada disciplina há três livros. Dois volumes com a matéria propriamente dita e um outro com actividades. A conta poderia - e deveria - ser bastante mais reduzida se, pelo menos, o tal caderno de actividades não existisse. Lá vamos nós com a velha história de "no meu tempo", mas é mesmo isso. No meu tempo não havia livros de actividades. Os professores davam-nos fotocópias com exercícios ou colocavam-nos nos quadros e nós passávamos para os nossos cadernos. Além de serem um peso brutal na conta bancária tornam-se um peso também para as crianças, que têm que carregar aqueles monos para a escola e na maior parte dos casos nem sequer são tão utilizados assim. Fazendo as contas, sem estes livros, a conta desceria mais de 100 euros.
O negócio é bom para as editoras, mas não percebo como as escolas colocam na lista de livros um caderno com exercícios que podiam muito bem serem elaborados pelos professores. Mas, há tanta coisa a dizer acerca deste assunto que não me chegariam 340 posts.

Os "meus" blogs - Tolan

Quando leio o Tolan, imagino do outro lado do ecrã um homem de 36 anos, casado e com dois filhos. Não vê a Casa dos Segredos, até acho que apenas tem uma vaga ideia do que isso será. Vive rodeado de livros, revistas literárias e jornais. Com certeza será desarrumado, por isso, todas estas publicações estão dispostas por toda a casa, no escritório, no sofá, na mesinha de cabeceira e na casa-de-banho. Quando está a ver um noticiário resmunga sozinho em frente à televisão, vive a injustiça social com fervor e participa em fóruns e noutros blogs que versem esta temática. A Plaft tem que recordar-lhe que é necessário cortar a barba que se arrasta já até ao chão, comer legumes (que detesta) e trocar de roupa. Não por desleixo higiénico, mas porque passa o tempo todo no computador a escrever e as horas passam sem que ele dê por isso. Os filhos não têm televisão no quarto e o Tolan lê-lhes, todas as noites, histórias para crianças mais velhas, o intelecto deles está muito desenvolvido e a Carochinha já não lhes interessa. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os "meus" blogs - Pipoco mais salgado

A decisão de iniciar um blog foi pensada durante muito tempo. Tinha muita vontade de escrever e partilhar essa escrita. Mente quem afirmar que não se interessa minimamente com as visitas, pois não há razão para se ter um blog se não ambicionarmos que nos vejam e leiam, mesmo aqueles que não têm qualquer publicidade. Mas, os que têm trabalho (sim, porque isto afinal dá trabalho) sem que o blog seja uma das suas fontes de rendimento são os que mais me fascinam. É desses que mais gosto, que, posso mesmo dizer, sou fã. Imagino os seus autores e as suas vidas. Todos fazemos esse exercício de imaginação. Nos próximos dias conheçam, através de mim, os autores dos meus, e de certeza que também são os seus, blogs preferidos. Começamos por aqui:
O Pipoco mais salgado será um homem de rotinas. Conhecer restaurantes novos, que estão na moda não fará muito o seu género. Preferirá as tasquinhas que conhece desde pequeno, restaurantes pouco caros, mas onde se come bem, embora como director-geral de um banco qualquer ganhará balúrdios. Terá muitos almoços de negócios, mas não gosta. O cinismo dessas reuniões à mesa e ter que ser simpático poderá, até, incomodá-lo fisicamente. É solteiro e embora, por vezes, possa parecer distante, as coisas são como são e a verdade é que deverá ser dedicado e correcto com as mulheres. Será, claro, um homem de família, daqueles que almoçam com os pais, os sobrinhos ou os avós aos domingos e leva sempre uma garrafa de vinho.

O início do ano

Não fiques assustada. Eu ainda consigo sentir as borboletas na barriga do dia anterior ao início das aulas. Tal como tu, também eu tinha dúvidas. Como iria correr o ano? Teria dificuldade nalguma disciplina, os professores iriam gostar de mim? A nostalgia de fim do Verão, das férias, da praia e do nada fazer era arrebatadora. Mas, invariavelmente, tudo correria bem. Também a ti tudo irá correr bem.
Vou chamar-te para fazeres os trabalhos de casa e tu vais dizer já vou, mãe. Vou dizer-te para ires dormir porque amanhã tens aulas às 8h20 e tu vais dizer já vou, mãe. Vou acordar-te às 7h15 e pedir para te despachares e ires para o chuveiro e tu vais dizer já vou, mãe. Vou gritar-te não me digas mais já vou, mãe e vai já e tu vais dizer mãe, a sério que já vou, é só mais um bocadinho. E, em junho, depois de nove meses disto, tudo terá corrido bem. As notas serão positivas mas podiam ser melhores. Vou reclamar que tens que ler mais, escrever mais, estudar mais e ver menos telenovelas. Tu prometerás que sim e eu vou dizer então lê este livro que te comprei e tu dirás já vou, mãe.

Não, não fui eu que escrevi

Mas adorava um dia chegar lá:

O limite da algibeira dos portugueses é como a linha do horizonte: por mais que nos aproximemos dele, nunca o atingimos. Passos Coelho e Vítor Gaspar descobriram que, tal como a terra, também a algibeira dos portugueses é redonda.

Ricardo Araújo Pereira

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Às segundas não mais se falará sobre a austeridade e o roubo descarado aos nossos bolsos? Depois de duas semanas de férias, assim que cheguei ao meu local de trabalho as primeiras conversas foram em torno da Casa dos Segredos. Nada sobre as medidas que o Governo pretende implementar. Nada sobre as declarações dos últimos dias. Nada. Quando perguntei a uma colega se já tinha feito contas sobre o que irá perder disse-me que era melhor nem pensar nisso. Não. Temos que pensar, e muito, nisso. Não nos podemos resignar a um destino ditado por pessoas que estão a brincar às marionetas e a fazer experiências com as nossas vidas. Vou perder mais de cem euros por mês. Este dinheiro será transferido para a conta bancária do meu patrão que fará com ele o que bem entender, comprar mais um carro, fazer mais uma viagem de "negócios", decorar outra vez o gabinete. Estavamos a ir tão bem. O eco das manifestações na blogosfera estavam a ser intensos e dá-me gozo ver as imagens, ler os textos. A cada declaração do Coelho e dos seus ministros estava a haver um feedback tão grande nas ruas, nos cafés. Não paremos por causa da Casa dos Segredos. Dizer haja pelo menos alguma coisa para nos distrair não é a forma de garantirmos, pelo menos para os nossos filhos, um futuro decente.