segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Só falta isto


O regresso

Já me estendi no meu sofá, já comi a minha comida, já dormi na minha cama, na minha almofada. A rotina tem má reputação, culpam-na quando as relações falham, quando as vidas perdem sentido. A rotina tem costas largas. Gosto do cheiro da minha casa, de deixar a minha filha na escola, gosto de trabalhar, de às terças, quartas e sábados ir à ginástica. Gosto das minhas rotinas.

sábado, 15 de setembro de 2012

Feliz 12º

Aquele primeiro momento foi estranho. Romantizei-o durante tantos meses e ali estava ele, cru, rápido, confuso. Disseram-me "aqui está a sua filha". Filha, filha, filha, filha. Às 15h45 de um dia como outro qualquer, tornei-me mãe. A tua mãe.
Olhámo-nos. E sei que, naquele instante, sentimos (espera. Está a tocar o telefone. És tu. Estás a contar que estás a comer um gelado de baunilha e chocolate.) medo. Mas, entre a música que estava a passar no rádio e as conversas entre a anestesista, a parteira, a enfermeira, o ginecologista e a pediatra, também naquele instante, as duas em silêncio, fizemos um pacto. Iríamos crescer juntas, unha com carne, pele com pele.
Esse momento aconteceu há doze anos. Às vezes, ainda olhamo-nos com medo. A vida assusta, às vezes. Mas agora e amanhã, como antes, vem para o meu colo, deixa-me embalar-te, cantar-te uma canção "o mar enrola na areia, ninguém sabe o que ele diz", sentir a tua pele quente. Quando estivermos assim, aninhadas uma na outra, o medo vai passar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Último dia no Porto Santo. Calças já não entram. Bolo do caco já me sai pelos olhos. Saudade de casa. Mas faltam mais quatro dias. Preguiça. Frustrada com as notícias. Vontade imensa de ir para a rua com cartazes. E é isto.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Porto Santo # 02




Cookiezilla

Os ciúmes toldam-me o raciocínio. Em relação às minhas duas pessoas, há uma regra que não pode ser quebrada: ninguém se pode aproximar em demasia ou, pelo menos, o que para mim é em demasia. Relações familiares foram fragilizadas, já quase andei à pancada e aborreço bastante os lesados, eu sei.
No entanto, não vejo no horizonte forma de ultrapassar este defeito. Calo-me com dificuldade durante um período, mas rapidamente o meu camião enche (um camiãozinho de brincar, diga-se) e explode estragando muito do que está à volta.

sábado, 8 de setembro de 2012

Chega-te a mim. Pede-me que fique, que te abrace. Tu sabes que eu quero que te chegues, que quero ficar, que te quero abraçar. O orgulho é uma vaidade tola. A vida parece suspender-se quando estamos afastados, mas as horas continuam a passar, as refeições continuam a fazer-se, os banhos a tomar-se.
Enquanto as horas passam e eu como e eu tomo banho, a vida está suspensa porque só vivo quando estou contigo.