sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Acabadinha de chegar aqui


Isto nem é não gosto...

... é detesto.

Detesto andar de avião. Agora imaginem o que estou prestes a fazer? O síndrome de Tourette começa a apoderar-se de mim.

Hoje deu-me para comer isto # 06


Mortadela, paio, presunto
Adoro um bom enchido
Não há melhor conjunto
E aqui está todo reunido

O vinho branco não é meu
Álcool não me satisfaz
Mas perguntem quem comeu
A tábua que agora rarefaz

Na verdade foi ontem. São 9h30 da manhã gente.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

o Vô

Lembro-me do teu riso e do teu choro e como nunca sabia qual dos dois eu estaria a presenciar. Sabia que quando ouvisses Amália isso aconteceria inevitavelmente. Ainda não consigo ver ninguém a caminhar com as mãos atrás das costas sem esboçar um sorriso e dizer a quem está ao meu lado "igualzinho ao meu avô". Lembro-me do sotaque de quem passou 50 anos no Brasil e os restantes entre cá e lá e do orgulho "sou português". Dizem-me que eras severo, mas essa faceta desconheci-te. Calado, às vezes demais, sempre sorridente e alto, muito alto. Quando era criança pensava que eras o homem mais alto do mundo. Lembro-me das sestas e das sopas, ambas diárias e imperativas.
Escolheste-me o nome, fruto das décadas passadas a ouvir música num português mais adocicado e, só por isso, lembrar-me-ia de ti todos os dias.
Hoje, se aqui estivesses, cantar-te-íamos os parabéns e tu chorarias ou ririas, não sei.

Man up

Quando eu era criança dizia que ia casar com um destes dois Bruces:



Homens aparentemente rudes, mas capazes de chorar, morenos, com a barba por fazer, sem se interessarem se o cabelo estaria milimetricamente penteado ou se a camisa combinaria com as calças, braços fortes, cigarro num canto da boca, voz grave e assertiva.
Quando me apaixonei, percebi que a minha idealização de marido estava errada. Ou, pelo menos, errada para mim. O meu de rude não tem nada, esbanja simpatia e boa educação, a barba de três dias corresponde, tem a pele muito sensível e fazê-la provoca-lhe espinhas, quando está a conduzir olha para o retrovisor vezes sem conta e penteia o cabelo com os dedos, veste-se muito melhor do que eu, é muito mais magro do que eu, por isso, também lá se vai a teoria dos braços fortes, não fuma e a sua voz é meiga e ponderada. Mas, apesar de nada corresponder ao idealizado por mim quando era criança, a verdade é que gosto, e muito, dele assim.
Senão, imaginemos: chegamos a casa e o Bruce Springsteen está à nossa espera para fazermos o jantar. Nós estamos cansadas, mas lembrem-se, ele é rude, e não se interessa por esse facto. A barba chega-lhe aos ombros e a água também não deve ser a sua melhor amiga, as pulgas saltitam alegremente entre os pelos e não cheira a perfume. O Willis nem cabelo tem para afagarmos e os cafunés que gostamos de fazer estão fora de questão. Levá-lo a um jantar da empresa também seria difícil, ele apareceria de manga cava e descalço e ficaríamos embaraçadas. O cheiro a fumo não me agrada, detesto até. E quanto à voz grave e assertiva, bem, isso até nem me importaria, mas o meu escolhido até consegue quando quer. Rrrrruau! (isto seria um leão a rugir)
Homens e mulheres idealizam os seus pares perfeitos e, muitas vezes, privam-se de conhecer melhor pessoas que não encaixam no padrão. Ainda bem que dei-me uma oportunidade ao falar com um loiro, de olhos azuis, solário feito, camisa da marca whatever e sapatos de vela. Teria perdido uma vida inteira de felicidade.

PS - Querido, também não é preciso exagerar. O Alfaiate Lisboeta não é o melhor blog português.