quinta-feira, 30 de agosto de 2012

o Vô

Lembro-me do teu riso e do teu choro e como nunca sabia qual dos dois eu estaria a presenciar. Sabia que quando ouvisses Amália isso aconteceria inevitavelmente. Ainda não consigo ver ninguém a caminhar com as mãos atrás das costas sem esboçar um sorriso e dizer a quem está ao meu lado "igualzinho ao meu avô". Lembro-me do sotaque de quem passou 50 anos no Brasil e os restantes entre cá e lá e do orgulho "sou português". Dizem-me que eras severo, mas essa faceta desconheci-te. Calado, às vezes demais, sempre sorridente e alto, muito alto. Quando era criança pensava que eras o homem mais alto do mundo. Lembro-me das sestas e das sopas, ambas diárias e imperativas.
Escolheste-me o nome, fruto das décadas passadas a ouvir música num português mais adocicado e, só por isso, lembrar-me-ia de ti todos os dias.
Hoje, se aqui estivesses, cantar-te-íamos os parabéns e tu chorarias ou ririas, não sei.

Man up

Quando eu era criança dizia que ia casar com um destes dois Bruces:



Homens aparentemente rudes, mas capazes de chorar, morenos, com a barba por fazer, sem se interessarem se o cabelo estaria milimetricamente penteado ou se a camisa combinaria com as calças, braços fortes, cigarro num canto da boca, voz grave e assertiva.
Quando me apaixonei, percebi que a minha idealização de marido estava errada. Ou, pelo menos, errada para mim. O meu de rude não tem nada, esbanja simpatia e boa educação, a barba de três dias corresponde, tem a pele muito sensível e fazê-la provoca-lhe espinhas, quando está a conduzir olha para o retrovisor vezes sem conta e penteia o cabelo com os dedos, veste-se muito melhor do que eu, é muito mais magro do que eu, por isso, também lá se vai a teoria dos braços fortes, não fuma e a sua voz é meiga e ponderada. Mas, apesar de nada corresponder ao idealizado por mim quando era criança, a verdade é que gosto, e muito, dele assim.
Senão, imaginemos: chegamos a casa e o Bruce Springsteen está à nossa espera para fazermos o jantar. Nós estamos cansadas, mas lembrem-se, ele é rude, e não se interessa por esse facto. A barba chega-lhe aos ombros e a água também não deve ser a sua melhor amiga, as pulgas saltitam alegremente entre os pelos e não cheira a perfume. O Willis nem cabelo tem para afagarmos e os cafunés que gostamos de fazer estão fora de questão. Levá-lo a um jantar da empresa também seria difícil, ele apareceria de manga cava e descalço e ficaríamos embaraçadas. O cheiro a fumo não me agrada, detesto até. E quanto à voz grave e assertiva, bem, isso até nem me importaria, mas o meu escolhido até consegue quando quer. Rrrrruau! (isto seria um leão a rugir)
Homens e mulheres idealizam os seus pares perfeitos e, muitas vezes, privam-se de conhecer melhor pessoas que não encaixam no padrão. Ainda bem que dei-me uma oportunidade ao falar com um loiro, de olhos azuis, solário feito, camisa da marca whatever e sapatos de vela. Teria perdido uma vida inteira de felicidade.

PS - Querido, também não é preciso exagerar. O Alfaiate Lisboeta não é o melhor blog português.    

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Coisas que gosto e não gosto que vou dizer quando o Daniel Oliveira me entrevistar # 01

Gosto de calças vermelhas, mas não tenho nenhumas. Gosto de me ver maquilhada, mas só o faço em casamentos, baptizados e comunhões, não tenho jeito e ainda fico pior quando tento fazê-lo sozinha. Gosto do cheiro da minha filha quando era bebé. Gosto da forma como ela me protege. Não gosto de pessoas que me mentem quando estão a contar alguma coisa que eu não pedi para me contarem. Não gosto de pessoas que dizem "eu sou o mais, eu sou a melhor", mas também não gosto de falsas humildades. Gosto quando são sinceros comigo sem me estourarem com a verdade na cara. Não gosto que me digam "os teus sapatos são feios" sem eu ter pedido opinião. Gosto de biquinis novos. Gosto de fazer ginástica, embora reclame o tempo tooooooooodo. Gosto de bolachas de chocolate. Gosto de bolachas de manteiga. Gosto de bolachas de canela. Não gosto de pessoas normais, desconfio. Não gosto que queiram que eu beba álcool. Não gosto de bebidas alcoólicas. Não gosto de ter enxaquecas.  

Gininha e Lurdinhas # 04

Apresento-vos o Tipirica.


Brave


Ontem fomos ao cinema só as duas. E, por coincidência, escolhemos um filme cuja história ronda os conflitos e o amor entre mãe e filha.
Valeu mini Oreo.