quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Impaciência hereditária

Não tenho jeito absolutamente nenhum para desenhar ou para trabalhos manuais. Tenho ideia que se houvesse um concurso mundial para encontrar a pessoa cujos desenhos parecem ter sido feitos por um elefante eu ganharia, posso dizer com orgulho. Este facto não resultaria em nenhum trauma de infância se o meu pai não desenhasse extraordinariamente bem e não fizesse vida disso. Ajudar-me nos trabalhos de Educação Visual era sempre um suplício. Eu preferia levar injecções a ter que fazer algum trabalho com a ajuda do meu pai. É que ele explicava-me uma vez como fazer determinada técnica e pretendia que eu, no minuto a seguir, a aplicasse correctissimamente. Ora, se atentarem no desenho abaixo, não vou precisar dizer mais nada a não ser isto: IM-POS-SÍ-VEL.




Quando a minha filha entrou para a escola, eu achava que ia ser uma óptima explicadora. Que nos íamos divertir imenso a estudar. Que Deus me livre de ser impaciente como o meu pai e achar que a minha pequena era inteligentíssima e perspicaz como ninguém.

Not.

Sou incorrigivelmente pior que o meu pai. Explico-lhe uma coisa e quero que ela imediatamente a seguir a tenha sabida, decorada, tudo. Conclusão: estou proibida de "ajudar" a minha filha na escola.
Mas, este ano, ai este ano. Este ano vai ser o tal. O tal em que me vou portar bem e que a vou realmente ajudar sem espernear.

Prometo.

Ai que estou tão tramada.

Não, não fui eu que escrevi

Mas adorava um dia chegar lá:

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Fernando Pessoa

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Gosto quando me falas suave.

Gosto quando me falas suave. Os olhos de mar brilham, o corpo toma nova forma, sedento de um abraço, a tua mão procura a minha, como gosto de dar a mão, a tua cabeça pousa no meu ombro como se lhe pertencesse, encaixando perfeitamente. A vida corre devagar quando estamos assim. Assim perto, assim bem.

Criança detida por blasfémia

Uma criança paquistanesa está detida depois de ter sido acusada de desrespeitar o Corão. O caso da menor, filha de pais cristãos, está a suscitar a ira entre a população maioritariamente muçulmana, que exige que a criança seja punida. A lei paquistanesa prevê a pena de morte para alguns destes casos.
Rimsha, que terá entre 11 e 12 anos e trissomia 21 ou síndrome de Down, foi detida na última quinta-feira em Mehrabad, um bairro em Islamabad habitado por perto de 800 paquistaneses cristãos, depois de uma multidão em fúria ter exigido que fosse punida. O que terá estado na origem da detenção da criança não foi ainda confirmado oficialmente.



Não há-de ser um hábito fazer isto, mas visto que no Barriga de Bolacha hoje fala-se de crianças, quero partilhar esta notícia.

A mini Oreo que qualquer dia não é

Quando nasceste, eu não sabia cuidar de ti. Nunca tinha pegado num bebé ao colo, trocado uma fralda, dado um biberão. Aprendi de um dia para o outro que as mãos e os pés dos bebés parecem sempre grandes em relação ao corpo e que se estão frios pode ser sinal de febre, que os devemos acordar quando adormecem a mamar, que têm a cabeça mole, que têm um cheiro bom que ao longo do tempo vai passando e, principalmente, que apesar de serem minúsculos têm a capacidade de mudar a nossa vida de uma forma que mais nada consegue.
Li que ser mãe é ter o coração fora do corpo. Confirmo. Mas, o que eu ainda não sabia e estou a aprender, é que à medida que os anos avançam essa sensação intensifica-se. Olho para a primeira imagem e vejo uma criança feliz, de trato fácil. Vejo um tempo em que as únicas preocupações eram tornar-te bem-educada, ensinar-te o bem e o mal e a fazer as devidas distinções. Na segunda imagem, tirada há tão pouco tempo, vejo uma pré-adolescente feliz, ainda de trato fácil. Mas, a par do teu desenvolvimento físico cresceram as preocupações, que também aumentaram de volume e de peso. O meu coração vive hoje, mais do que nunca, fora do corpo, esperando que as lições sobre o bem e o mal estejam estudadas.
Eu sei que sabes, que sentes. Gosto muito de ti.  

Post trengo-romântico já a seguir

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2012


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Gininha e Lurdinhas # 03

Num supermercado em Benidorm:
 - Boa tarde. Quero dez bifes de atum, por favor, diz a Gina para a funcionária da peixaria, que não conseguiu entender o pedido.
A Lurdinhas, em auxílio da amiga, ia apontando para o atum e dizendo devagar:
- Deeeeez biii-fes deeee aaa-tuuuum.
Sem resultados positivos, pois a funcionária continuava sem entender, acontece uma nova tentativa, desta feita num idioma perfeito:
- Dez BÉFÉS de atum. Deeeeeeez BÉ-FÉS!
- Aca Gininha, estava difícil. Ainda bem que somos polilotas.