"Não sou nada. Nunca serei nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". Fernando Pessoa
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Detesto pessoas prepotentes, que falam do alto da burra, que insultam sem misericórdia, que fazem uso da superioridade hierárquica para humilhar, gozar os outros. Detesto pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins, passando por cima de pessoas que um dia já as ajudaram. Detesto pessoas que são más só porque sim, só porque lhes apetece, pessoas que descarregam as suas frustações, profissionais e pessoais, naqueles que não têm força para responder à letra, não podem responder à letra. Detesto pessoas que primeiro falam mal e só depois perguntam o que se passou.
Aqueles que não tem escrúpulos não podem ganhar sempre, pois não?
Aqueles que não tem escrúpulos não podem ganhar sempre, pois não?
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Gininha e Lurdinhas # 02
A Gina e a Lurdes têm um vocabulário muito próprio. Palavras como:
- esterístico, leia-se asterisco;
- onduances, leia-se nuances;
- PGS, GPS;
- ou coloscopia, acho que não preciso traduzir esta;
são ínfimos exemplos da imaginação destas duas amigas. Quando achamos que "pronto, não há calinada maior que esta", vem a outra e sobe a fasquia.
Chamar uma senhora de Dona Campanhã, quando a senhora se chama Trindade, entrar num carro num dia de chuva pensando que um amigo tinha parado para oferecer boleia e só reparar que se tratava de um estranho passados três quilómetros, abastecer o carro e trazer a mangueira atrás ou colocar vick no nariz, dar duas fungadelas com a cabeça para trás, dizer "ah, estou muito melhor", seguido de um "ah, afinal estava fechado" são o pão nosso de cada dia.
As duas amigas são as preferidas de toda a gente. Não há - e pode parecer utópico - mas não há mesmo quem não goste delas. Onde as duas estão há gargalhadas com lágrimas e dores de barriga, quando elas estão não se diz mal de ninguém e a vida é uma brincadeira.
- esterístico, leia-se asterisco;
- onduances, leia-se nuances;
- PGS, GPS;
- ou coloscopia, acho que não preciso traduzir esta;
são ínfimos exemplos da imaginação destas duas amigas. Quando achamos que "pronto, não há calinada maior que esta", vem a outra e sobe a fasquia.
Chamar uma senhora de Dona Campanhã, quando a senhora se chama Trindade, entrar num carro num dia de chuva pensando que um amigo tinha parado para oferecer boleia e só reparar que se tratava de um estranho passados três quilómetros, abastecer o carro e trazer a mangueira atrás ou colocar vick no nariz, dar duas fungadelas com a cabeça para trás, dizer "ah, estou muito melhor", seguido de um "ah, afinal estava fechado" são o pão nosso de cada dia.
As duas amigas são as preferidas de toda a gente. Não há - e pode parecer utópico - mas não há mesmo quem não goste delas. Onde as duas estão há gargalhadas com lágrimas e dores de barriga, quando elas estão não se diz mal de ninguém e a vida é uma brincadeira.
A obsessão do meu marido
O meu marido tem uma verdadeira obsessão por carros. Já sei, já sei, 90% dos homens gostam de carros. Mas o meu marido não gosta de carros. Ele é mesmo obcecado. Tanto, que a seguinte conversa já teve lugar:
- Naqueles dias que estou mesmo chateado com o trabalho e que já não posso ouvir os clientes, vou até à rua "não sei quê", ver o carro "não sei quantos" e fico logo mais calmo.
- WTF?!
Há pessoas que gostam de ir ver o mar, dar um passeio pelo bosque, comer chocolates, sei lá, mas nunca ouvi falar de alguém que se acalma a ver carros.
O meu marido conhece todos os modelos, de todas as marcas, de todos os anos. Quando estamos a ver televisão, mal um carro aparece no ecrã (e não estou a falar de aparecer o exterior do carro, pfff, será que ainda não viram a dimensão da coisa? Basta aparecer um banco, um volante, um retrovisor) ele grita: Mercedes SL 280, a gasolina, de 1976, por exemplo (foi o primeiro carro que me apareceu na busca do google e pareceu-me bonito o suficiente para ser um exemplo). Ora, isto poderia não me aborrecer nada, mas acontece que aborrece. É que ele podia viver isto tudo sozinho, viver esta maluqueira sem me arrastar, mas não. Durante muitos anos, fui fingindo que me interesso pelo assunto enquanto ele fala, mas na verdade, enquanto ia acenando com a cabeça e dizendo coisas do género "ai sim? Pois é. É muito bonito. Ah, realmente as outras jantes eram mais bonitas" a minha mente divagava, divagava... É que eu tenho um dom, o dom do modo piloto-automático. Sou capaz de estar horas com uma pessoa, conversar sobre os mais variados assuntos e não me lembrar absolutamente de nada do que eu ou a outra pessoa disse porque eu nunca estive lá. Quem esteve foi o piloto-automático. Ora dizia eu que durante algum tempo esta técnica funcionou. Mas, o meu marido, além de troloró é esperto e logo percebeu que eu não gosto de carros, não me interessam os modelos, se são a gasolina ou a gasóleo, se têm jantes 16 ou 18 ou...
ou...
ou...
... bem, eu gostava de dar mais exemplos, mas estes dois são os únicos que o piloto automático me deixa lembrar.
Nós zangamo-nos pouco. Gostamos um do outro, a vida corre e não arranjamos sarra para nos coçarmos. Mas, os carros, ai os carros. O homem cisma que se é um grande interesse para ele eu também deveria esforçar-me para gostar. Que quando eu falo de pêlos encravados, varizes ou da roupa da Zara ele também me ouve. E pensam vocês "ah, isso é ele que também liga o piloto-automático". Mentira. Eu posso falar do que quiser, passam quatro anos e o gajo lembra-se. Assim fica muito difícil.
Acho que o melhor é eu voltar para o google e começar a saber o que são cilindros e...
e...
Bosta, nem sei mais o que hei-de pesquisar. O melhor a fazer é dar-lhe logo a Taça de Conjuge Perfeito, pela qual me ando a debater há nove anos.
- Naqueles dias que estou mesmo chateado com o trabalho e que já não posso ouvir os clientes, vou até à rua "não sei quê", ver o carro "não sei quantos" e fico logo mais calmo.
- WTF?!
Há pessoas que gostam de ir ver o mar, dar um passeio pelo bosque, comer chocolates, sei lá, mas nunca ouvi falar de alguém que se acalma a ver carros.
O meu marido conhece todos os modelos, de todas as marcas, de todos os anos. Quando estamos a ver televisão, mal um carro aparece no ecrã (e não estou a falar de aparecer o exterior do carro, pfff, será que ainda não viram a dimensão da coisa? Basta aparecer um banco, um volante, um retrovisor) ele grita: Mercedes SL 280, a gasolina, de 1976, por exemplo (foi o primeiro carro que me apareceu na busca do google e pareceu-me bonito o suficiente para ser um exemplo). Ora, isto poderia não me aborrecer nada, mas acontece que aborrece. É que ele podia viver isto tudo sozinho, viver esta maluqueira sem me arrastar, mas não. Durante muitos anos, fui fingindo que me interesso pelo assunto enquanto ele fala, mas na verdade, enquanto ia acenando com a cabeça e dizendo coisas do género "ai sim? Pois é. É muito bonito. Ah, realmente as outras jantes eram mais bonitas" a minha mente divagava, divagava... É que eu tenho um dom, o dom do modo piloto-automático. Sou capaz de estar horas com uma pessoa, conversar sobre os mais variados assuntos e não me lembrar absolutamente de nada do que eu ou a outra pessoa disse porque eu nunca estive lá. Quem esteve foi o piloto-automático. Ora dizia eu que durante algum tempo esta técnica funcionou. Mas, o meu marido, além de troloró é esperto e logo percebeu que eu não gosto de carros, não me interessam os modelos, se são a gasolina ou a gasóleo, se têm jantes 16 ou 18 ou...
ou...
ou...
... bem, eu gostava de dar mais exemplos, mas estes dois são os únicos que o piloto automático me deixa lembrar.
Nós zangamo-nos pouco. Gostamos um do outro, a vida corre e não arranjamos sarra para nos coçarmos. Mas, os carros, ai os carros. O homem cisma que se é um grande interesse para ele eu também deveria esforçar-me para gostar. Que quando eu falo de pêlos encravados, varizes ou da roupa da Zara ele também me ouve. E pensam vocês "ah, isso é ele que também liga o piloto-automático". Mentira. Eu posso falar do que quiser, passam quatro anos e o gajo lembra-se. Assim fica muito difícil.
Acho que o melhor é eu voltar para o google e começar a saber o que são cilindros e...
e...
Bosta, nem sei mais o que hei-de pesquisar. O melhor a fazer é dar-lhe logo a Taça de Conjuge Perfeito, pela qual me ando a debater há nove anos.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Vamos voltar atrás no tempo. Lembraste quando eramos felizes? Nós já fomos felizes um dia, não fomos? Deve ter havido um tempo em que a minha voz tinha importância para ti, que o meu toque te arrepiava, que tinhas orgulho, amor, desejo, sei lá, qualquer coisa. Vamos tentar lembrarmo-nos. Terá sido em 1976? 78, talvez. Não. Em 1978 estivemos durante três meses sem nos falarmos porque eu disse que a Cláudia Raia era bonita e tu achavas que ela era apenas engraçada. Então quando terá sido? No ano seguinte também não foi, porque lembro-me como se tivesse sido ontem que com uma discussão sobre quem leva o lixo ficamos sem falar durante cinco anos. Não me lembro, talvez seja da idade. Sim, eu estou a envelhecer, como tanto gostas de dizer aos outros. Pronto, ganhaste. Mas, acredita, estou muito melhor do que tu. Ainda no outro dia me disseram que pareço muito mais jovem. Nem acreditaram quando eu disse a minha idade. O quê? Como és capaz de dizer isso? Não fales comigo até 2024.
Volta bolacha Palito
Já não a vejo há três dias. Sinto falta do seu cheiro, nem sempre o melhor quando se tem 11 anos e as hormonas em pulgas, da sua voz meiga, mesmo quando é malcriada, dos seus mimos, às vezes brutos pela falta de jeito que herdou da mãe, da sua desarrumação, que dá vida à casa, dos ralhetes que ambos lhes damos, dos ralhetes que eu dou a ambos.
Sou piegas, sou lamechas, sou mãe-galinha. Não me importo. Tenho saudades da minha Bolachinha.
Sou piegas, sou lamechas, sou mãe-galinha. Não me importo. Tenho saudades da minha Bolachinha.
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