Desço as escadas pé ante pé
Não os quero acordar
Quero beber o meu café
E comer o Pão de Ló de Ovar
Vou comer só uma colher
Talvez uma fatiazinha
Não acredites em quem disser
Que não ficou nada na caixinha
"Não sou nada. Nunca serei nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". Fernando Pessoa
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Os novos amigos
Os novos amigos fazem piqueniques, marcam almoços, jantares, caminhadas. Os novos amigos dizem piadas e gostam uns dos outros, descobrem a cada frase o nosso feitio, a nossa história. A diferença de mais de vinte anos aproxima-nos, a jovialidade não se mede, há gargalhadas reais, dizem que tiveram saudades nossas, e é sentido e nós sabemos, há grandes sorrisos quando nos vêem e perguntam sempre se estamos bem. É bom, e eu já me tinha esquecido, ter novos amigos.
As avós
Quando eu era criança, morria de inveja dos amigos que tinham avós de quem gostavam, de quem tinham saudades, com quem ansiavam encontrar-se. Eu imaginava esses encontros como momentos quase mágicos. Com bolos e chá, histórias de tempos passados, o cheiro do assado pela casa, um cobertor quente à beira da lareira e um colo sempre pronto para nos receber.
O tempo passado com as minhas avós não era assim. Nada assim. Eu não gostava de estar na frieza da casa delas, estava sempre pronta para ir embora. Não havia bolos e nem assados. Não havia mimos e nem colo. Não tenho nenhuma boa recordação de nenhuma delas, apenas a sensação que para nenhuma delas eu fui importante.
Hoje, volto a sentir a importância de uma avó na vida de uma criança. Ao ver a minha filha deitada no sofá da avó, enroscada no cobertor amarelo, sei que é muito mais feliz por ter o quente daqueles abraços, aquelas cociguinhas, aqueles bifes com batatas fritas e aquele amor que eu não tive, mas que o vivo através dela.
O tempo passado com as minhas avós não era assim. Nada assim. Eu não gostava de estar na frieza da casa delas, estava sempre pronta para ir embora. Não havia bolos e nem assados. Não havia mimos e nem colo. Não tenho nenhuma boa recordação de nenhuma delas, apenas a sensação que para nenhuma delas eu fui importante.
Hoje, volto a sentir a importância de uma avó na vida de uma criança. Ao ver a minha filha deitada no sofá da avó, enroscada no cobertor amarelo, sei que é muito mais feliz por ter o quente daqueles abraços, aquelas cociguinhas, aqueles bifes com batatas fritas e aquele amor que eu não tive, mas que o vivo através dela.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Chefes
Chefe, chefinho
Pára lá de chatear
Vai tomar um cházinho
E deixa-me mas é trabalhar
Chegas à hora que te apetece
E ficas logo nervosinho
A malta um dia endoidece
Com esse teu arzinho
Estás sempre mal disposto
E sempre a reclamar
Põe um sorriso no rosto
A pele não vai enrugar
Pára lá de chatear
Vai tomar um cházinho
E deixa-me mas é trabalhar
Chegas à hora que te apetece
E ficas logo nervosinho
A malta um dia endoidece
Com esse teu arzinho
Estás sempre mal disposto
E sempre a reclamar
Põe um sorriso no rosto
A pele não vai enrugar
Não, não fui eu que escrevi
Mas adoraria um dia chegar lá:
Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser.
Valter Hugo Mãe, Filho de Mil Homens
Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser.
Valter Hugo Mãe, Filho de Mil Homens
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Sou distraída. Não, sou muito distraída. Não, ainda não, sou a pessoa mais distraída que alguma vez existiu. Pode imaginar-se a cena mais ridícula do mundo que com certeza já me aconteceu. Coisas como não saber onde está o carro, as chaves, os documentos ou aquele papel importante são diárias e até um pouco básicas para mim. Se toda a minha distracção se resumisse a estes exemplos eu seria muito mais feliz. As minhas distracções são estas e outras, muitas outras, mais rebuscadas, mais incríveis e mais ridículas.
Prometo a mim mesma e aos outros que vou melhorar, que vou estar mais atenta, mais conectada com o mundo, mas a verdade é que as minhas promessas nunca são cumpridas. Não por vontade própria, aliás, por vontade própria, sim, mas da distracção. Parece que ela, quase uma amiga depois de tantos anos de convívio próximo, tem uma vida à parte da minha e quando lhe apetece dá o ar da sua graça, como um primo chato que de vez em quando lá se lembra de aparecer em nossa casa para pedir dinheiro emprestado. Tanto já me parece um ser real, que a partir de agora acho que o melhor é escrever o seu nome com maiúscula, Distracção.
Conviver comigo não deve ser fácil. Ou se tem uma grande dose de paciência e sentido de humor ou o melhor é nem se aproximar. É que além da Distracção, tudo para mim é para ser feito com calma, sem discussões e sem muito esforço. Descomplicar é o meu nome do meio, o que pode ser muito útil, mas só mesmo em casos de emergência. Sou a melhor pessoa para se ter por perto quando alguém está doente ou magoado. Não entro em pânico e sou perita a desdramatizar. Não há nada que um ben-u-ron não cure.
Sou um elefante numa loja de loiça. Não tenho culpa de ser grande e haver tantos detalhes para tomar atenção.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Não, não fui eu que escrevi
Mas adoraria um dia chegar lá:
Visitação ou Poema que se diz manso
De mansinho ela entrou, a minha filha.
A madrugada entrava como ela, mas não
tão de mansinho. Os pés descalços,
de ruído menor que o do meu lápis
e um riso bem maior que o dos meus versos.
Sentou-se no meu colo, de mansinho.
O poema invadia como ela, mas não
tão mansamente, não com esta exigência
tão mansinha. Como um ladrão furtivo,
a minha filha roubou-me inspiração,
versos quase chegados, quase meus.
E mansamente aqui adormeceu,
feliz pelo seu crime. Ana Luísa Amaral
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